Os 5 Filtros e meio da criação de um jogo

Certo, já passamos por muitos pensamentos, já até estruturamos algumas ideias interessantes e agora devemos separar as melhores ideias, como fazemos para separar uma ideia boa de uma não tão boa ou simplesmente ruim? Como escolhemos uma ideia sem basear-nos apenas na opinião pessoal?

Esse é um conceito mais simples que os anteriores que podem resumir basicamente a essas 5 perguntas:

1o Filtro – Esse jogo parece bom para você?
2o Filtro – O jogo é (ou será) bem projetado ?
3o Filtro – O publico alvo será suficientemente atraído pelo jogo ?
4o Filtro – Esse jogo irá ser monetizado o suficiente para cobrir seu preço de custo?
5o Filtro – Qual a opinião das pessoas que jogam este jogo ?

Meio Filtro* – Esse jogo gera uma comunidade e tem seu valor como game social?

*Apenas para alguns jogos, os que necessitam de redes sociais para sobreviver, como jogos de Facebook ou alguns MMORPGS.

Agora indo para o lado mais pedagógico da temática, iremos para cada uma dessas perguntas melhor:

1o Filtro – Instinto do designer

Esse é o filtro mais querido pelos designers, cuidado para não elevar seu ego o suficiente para este se tornar o único filtro. Ele é bem simples, basta sentir, esse jogo parece bom o suficiente para você? acha que será uma boa? dará certo? Então pronto, passou neste filtro.

Sim, ele é um tanto quanto pessoal, a intenção dos outros filtros é equilibrar esse seu “feeling” incial.

2o Filtro – Experiência do Designer/Equipe

Esse filtro já é de maior complexidade, ele quer que você leve em conta tudo que você e/ou sua equipe sabem sobre criação de jogos por estudo ou experiência, isso envolve conhecimento sobre experiência do usuário, estética, sonoplastia especifica, áreas de interesse, balanceamento de jogo, entre outros. Para passar neste segundo filtro o projeto deve passar por variados tipos criticas baseadas no conhecimento do designer e/ou da equipe e ainda parecer bom no julgamento do grupo.

3o Filtro – Taxonomia da atração

Talvez você não tenha decidido, mas seu jogo tem um público alvo, mesmo que você não tenha pensado nisto ainda. Esse público pode ser separado por diversas maneiras diferentes: idade, sexo, classe social, credo, interesse especifico, esporte preferido (Ex: Garotas em concursos de popularidade na adolescência, jogadores de esportes com cavalos etc…).

Com este filtro você deve considerar precisamente se o design é agradável, interessante e chamativo para o público alvo destinado.

4o Filtro – Negócios

Sim, infelizmente e felizmente o setor de jogos é um negócio. E um dos muito rentáveis, logo o mesmo responde a regras de mercado.

Nesse filtro você irá analisar tudo que puder sobre a possibilidade de vendas do seu jogo, sua chance de destaque nas prateleiras, na Steam, no pacote indie ou em alguma loja de apps, seu apelo, seu custo de marketing, de produção, de inovação, de equipe, tempo de produção, se os jogos dos concorrentes são similares, se já apostaram no que você está apostando, entre outras informações do gênero especificas para seu jogo, pense seu jogo como um produto de mercado, como você veria ele se fosse seu comprador?

Esse filtro envolve a tecnologia o qual será usada, além de todos os custos relacionados a ela, seja para criação da sonoplastia, produção da arte, organização da escrita, programação da linguagem ou divulgação do jogo.

5o Filtro – Vez do jogador

Esse filtro tem muito a ver com a recepção de seu público, o que irá definir o jogo como um sucesso ou não.

Para aplicação deste filtro seu jogo já deve ter alcançado uma fase de desenvolvimento jogável, onde o jogador já possa imergir no enredo, entender a mecânica e sentir o jogo em si. Aqui será possível analisar o comportamento do seu público em situações projetadas para ele, ver o feedback relacionado a telas, menus, barras e assim gerar mudanças realmente importantes para o jogo.

Além de modificar o jogo em si, você começa a entender seu público melhor, vê o psicológico dele em funcionamento e pode-se usar disso para fora do jogo, seja em uma campanha de marketing, uma competição por votação ou venda de kit de expansão.

Meio Filtro – Mídia Social

Filtro importante, mas não necessário para todos os jogos, pode ser um filtro ouro ou só mais um pequeno detalhe, depende absurdamente do estilo de seu jogo.

Jogos como MMORPGs necessitam de muitos jogadores, se não se tornam chatos, sem o teor social que deveriam carregar, mas pequenos jogos de celular, onde requer uma interação rápida sem conexões avançadas ou competições, a comunidade pode se tornar apenas um extra. Claro pode nascer o oposto, há jogos de celular que exploraram o multiplayer se tornando absurdamente interessantes por causa disto, é o caso de depender da mecânica do jogo em si. No caso médio haver uma comunidade paralela comentando sobre o jogo pode gerar publicidade a longo prazo para o mesmo, bons feedbacks, ideias interessantes, um estudo de público entre outros vantagens.

Então se torna-se preciso em apenas alguns casos passar-se pelo filtro do Social.

para finalizar esse pequeno post sobre os filtros, chegamos a padronizada conclusão.

Acontece por algumas vezes de ser necessário trocar alguns dos filtros com o crescer do projeto, talvez por mudança de patrocínio (imaginou-se 150 mil de investimento e se tornou apenas 90 mil), regras de censura (a censura de um país alvo não aceita certas cenas com sangue vermelho), ou foi planejado para faixa de demográfica errada (homens de 12-14 anos eram o alvo e acabou sendo muito mais aceito por mulheres de 16-24) entre outras possibilidades.

A questão que é importante ressaltar aqui é que não há problemas quanto a essas mudanças, contanto que as restrição de seu design permitam isto. É importante encontrar uma maneira de passar em todos os cinco filtros.

Você irá usar estes filtros por repetidas vezes até que pareçam automáticos o suficiente para você chamar de bom senso no futuro, chegará esse momento que nem perceberá como separa tão bem e facilmente as mais diferentes ideias, como possíveis, valiosas, públicas, ruins, interessantes lucrativas entre outras.

Passará com a experiência organizar muito rapidamente as suas melhores ideias ou de outros, em conceitos definidos e estruturados para serem aplicados muito rapidamente e facilmente. Tornara-se algo prazeroso para você e a equipe quando ganharem experiência com isto.

Referências:

Fotos – Google Images e Weheartit

Jesse Schell – The Book of Lenses

– Por Thiago Vignoli

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