6 passos para “jogar” com a mente do Jogador

Abra sua mente, mas CUIDADO!

Você já pensou que existem técnicas para se “controlar” a mente nos jogos? Pois é, elas existem, e nós fizemos uma lista de 6 influenciadores mentais para cérebros humanos, montados no intuito de dar prazer e incentivar pessoas a tomarem atitudes e mover-se em tarefas relacionadas à vida.

1) Barras de Experiência (Medição do Progresso)

Barras de experiência registram o progresso, algo que Jesse Schell, um dos maiores game designers do mundo, frisa bastante em seus trabalhos. A ideia é de não gratificar a pessoa por “pedaços” alcançados (provas, tarefas, objetivos), mas sim de bonificá-las continuamente por cada mínima ação. Assim temos a noção do sempre estarmos evoluindo.

2) Múltiplos Objetivos (Curto e longo prazo)

Conseguir pegar 10.000 cartas especiais é chato, conseguir 10 cartas especiais, divertido. E, para se conseguir as 10 cartas, há vários objetivos pequenos diferentes. Achar uma, brigar por outra, estudar para conseguir outra e, juntando-as, completa-se o objetivo de juntar. Objetivos curtos somados montam o longo, tudo vale a pena. Divide-se o trabalho complexo em pedaços importantes, para que as pessoas atinjam as metas maiores sem perceber, e se sintam engajadas a vencer.

3) Recompensa do esforço (Todo esforço é recompensado)

Toda vez que se faz algo, ganha-se crédito, experiência, dinheiro, peça, sangue, alma, mana, poder… não apenas por completar, mas por tentar. Não se pune as falhas, recompensa-se cada pequeno esforço. Pode ser uma recompensa pequena, mas é instantânea.

4) Retorno para o Jogador (Claro, rápido, limpo)

Isso é absolutamente necessário. O melhor exemplo é citar que as pessoas não associam as consequências com os atos e o cérebro humano precisa disso para se preocupar. Poluição, aquecimento global, alagamentos, violência pública são problemas causados por nós também, mas a culpa é dividida, o movimento é pequeno, fica fora da preocupação humana. Como as consequências são distantes em tempo e espaço, torna-se difícil aprender uma lição disto. Pelo feedback rápido e claro, elas podem entender, aprender e mudar muito rápido.

5) O Elemento da Incerteza (Segredo neurológico, a recompensa mágica do cérebro)

Um esforço conhecido anima pessoas, mas um esforço com possibilidades variáveis encanta o cérebro, faz ele soltar faíscas. Dopamina está associado ao comportamento de busca pelo esforço, então se o jogador tem que salvar uma árvore para conseguir a carta e, ao salvar essa árvore, salva também, por surpresa, um pássaro que passa a acompanhá-lo em sua viagem, isso encanta e anima o jogador absurdamente.

6) Social(Outras pessoas são excitantes)

O que realmente anima, excita, deixa o jogador no auge são outras pessoas, não dinheiro, em termos de reforço. Se houverem pessoas vendo, comentando, participando, colaborando, o Social se organiza e continua os jogos que ama por si só, criando itens, expansões, patchs, sites próprios para melhorar o que foi feito para eles. Quando há colaboração, todos se animam. E, quando há competição, os jogadores também se tornam mais esforçados e quentes para continuar a tentar e a crescer. Competição equilibrada à comparação são as palavras-chaves aqui.

O poder que um jogo pode ter usando essas 6 características é enorme, é realmente poderoso no bom e no mal sentido. Pode ser bom para a educação, conscientização ou entretenimento, como pode ser terrível para o vício, domínio e controle dos ofícios mentais.

Usar desses artifícios pode ser cruel ou pode ser um agrado cerebral. Então, cuidado ao usá-los e tenha respeito também.

Referências:

The Art of Game Design: A book of lenses

Por Thiago Vignoli