O Criativo e o Líder

Qual a diferença entre esses dois perfis de profissionais? Que habilidades cada um tem e porque pode ser ruim unir os dois em uma pessoa só?

OBS: É importante ressaltar que tratamos aqui do Diretor Criativo e Gerente de Projeto, mas há uma grande variação de nomenclaturas na indústria dos jogos ainda.

O Criativo

Responsável por alinhar os trabalhos da equipe, motivá-los e manter o foco no produto final, este papel exige muita conversação, boa documentação e muito foco no produto final. Como se pode ver na imagem abaixo, o diretor criativo é responsável pelo diálogo entre o produto e os criadores do mesmo, mas claro, há certa liberdade para que estes criadores atinjam diretamente o produto final.

É comum achar que o diretor criativo aqui é o responsável por todas as ideias, e o que irá falar tudo o tempo todo. Não! Aqui ele irá ouvir, e muito! É importante que todos os dias ele tenha contato com diferentes membros da equipe, veja em que pedaço estão trabalhando, se tem alguma necessidade de outro membro, se precisam de uma opinião sincera, etc. É necessário que ele some feedbacks e troque informações pela equipe para que o jogo ande em uma só linha. Esse é um trabalho bastante delicado, visto que há uma linha tênue entre a quantidade de feedback que se dá e o quão detalhado ele é. Pode ser muito chato para membros habilidosos da equipe ouvir críticas frequentes sobre cada fio de cabelo de certo personagem, por exemplo.

O Líder

Conhecido pela alcunha de líder, esse profissional é responsável pelo time, ele é o líder do time.

Este profissional é responsável por: cuidar da equipe diariamente no trabalho, prazos, organização e resultados. O líder irá cuidar das relações entre os profissionais da equipe, da publicadora, dos parceiros e organizações as quais o projeto está envolvido. O líder também é responsável por assegurar que a equipe esteja estável financeiramente, mentalmente e fisicamente, para que assim o jogo possa caminhar segundo seu próprio escopo e visão sem influenciadores sazonais

Como líder, você deve se certificar que o time tem todas as necessidades e habilidades para cumprir suas tarefas.

 

O grupo precisa ser eficiente

A função principal do Líder é assegurar que o time será efetivo no dia a dia de trabalho. Pode-se ver na imagem abaixo que se automotivar também é dever da equipe. Apesar disso também incluir o diretor criativo, essa não é sua função primária.

E então, porque os dois papéis não podem ser apenas de uma pessoa?

Centralização de poder

O fator número 1 é que, se a mesma pessoa tiver as duas responsabilidades, seria como se ela discutisse consigo mesma protegendo dois lados opostos; prazo vs. qualidade; prioridades vs. tempo, entendem? Para melhores decisões, é importante uma discussão, não uma centralização de visão desse porte.

Decisão

Em um jogo, haverá muitas decisões complexas, principalmente pelo longo prazo de projeto e a quantidade de pessoas envolvidas, as quais acabam por muitas vezes amar o jogo que estão produzindo. Então é importante o papel do Líder para dizer quando certa decisão deve ser tomada, e o time também deve opinar e estar de acordo, mas quem dá a palavra final é o responsável pelo setor.

Tempo

Os dois papéis consomem uma grande quantidade de tempo dos profissionais envolvidos, se o jogo precisa de uma equipe de até 4 pessoas, pode-se concentrar esses papeis em apenas um, mas quando falamos de uma equipe que envolve 5 ou mais pessoas, é realmente importante dividir essas funções e, se equipe é ainda mais que 12 pessoas, é realista criar ainda mais divisões de liderança.

E para concluir…

Aqui estão presentes dicas baseadas nas referências estudas e experiências como profissional da indústria, logo são sugestões para gerenciamento, organização e planejamento de sua equipe, empresa e jogo. Sinta-se livre para pensar em outras hierarquias, baseado em suas experiências e quantidade de membros da equipe, e claro, compartilhe um pouco de sua experiência e o que passou com seus projetos, ok?

Referência:

Michael Levall’s Game Design Portfolio

Por Thiago Vignoli